terça-feira, 12 de julho de 2011

Cinzas de vulcão Chileno são reaproveitadas para construção de casas populares


 28 de junho de 2011 | Nas Categorias: Arquitetura Verde | Por: Vanessa Mendes Argenta



Quem acompanha o noticiário com certeza ouviu falar sobre o vulcão Puyehue, no Chile, cujas cinzas se espalharam por todo o Cone sul, afetando muito o tráfego aéreo e o turismo na região. Cidades a mais de 100 quilômetros de distância foram afetadas pelas cinzas, inclusive San Carlos de Bariloche e Buenos Aires.

As cidades mais próximas do Puyehue ficaram tomadas pelas cinzas vulcânicas, o que ocasionou o fechamento de estradas, a poluição de reservatórios de água e a falta de energia elétrica. Uma das cidades mais afetadas foi Villa La Angostura, que fica na Argentina, a cerca de 40 quilômetros do vulcão.



Mas ao invés de chorar sobre as cinzas derramadas, os moradores dessa cidade partiram para uma ação sustentável: usar as cinzas para fabricar blocos de construção!

Com o apoio do governo local, os blocos já estão sendo produzidos, usando a força de trabalho dos moradores que estavam desempregados e os equipamentos adquiridos pelo Ministério do Desenvolvimento Social.



Acrescentando um pouco de cimento às cinzas, podem ser fabricados blocos para paredes, bloquetes para piso e tubos para instalações hidráulicas. Com mais de cinco milhões de metros cúbicos de cinzas acumuladas nas ruas, matéria-prima é que não vai faltar por enquanto. A intenção é construir, num primeiro momento, moradias para a população de baixa renda. Em regime de cooperativa, espera-se empregar mais de 32 famílias diretamente na produção dos blocos.

Além da limpeza das ruas e da geração de empregos, espera-se com isso estimular o turismo na região, construindo hotéis e estações turísticas com o material. Na situação de calamidade que se encontra a cidade, essa ação conjunta com a natureza pode ser uma esperança para os moradores tão afetados pelo poderoso Puyehue.

Veja o video da BBC (se estiver lendo via e-mail ou RSS clique aqui para ver o video).

fonte: 
http://www.coletivoverde.com.br/cinzas-vulcao-chileno/

TINTAS A BASE DE TERRA - ECOLÓGICAS E SUSTENTÁVEIS




As práticas de pintura que usam o solo como pigmento natural, existem desde o tempo das cavernas e ainda são muito utilizadas no ambiente rural.

O resgate das técnicas da pintura feitas com terra; usando solos como pigmentos já permitiu, só aqui no Brasil; a catalogação de mais de 40 cores básicas, que podem ser inclusive misturadas entre si, resultando numa infinidade de cores e tons.

A releitura desse conhecimento tradiconal e popular vem colocando em evidência o valor do imperbeabilizante feito a partir do cactos de palma e/ou do que é feito com a cola de amido - conhecida como "grude" (usado em papagaios e pipas), que fazem com que a pintura se agarre bem nas paredes, impedindo que a tinta solte-se facilemente como outrora, quando fazia grande labuzeira no momento da aplicação e grudava em roupas e no corpo após aplicada.

Assim é, que a opção de menor custo na produção dessas tintas, é a receita formulada a partir da mistura de argila e o sumo da palma forrageira, planta originária do nordeste do Brasil, muito comum na Caatinga e no Serrado.

As tintas a base de terra podem ser aplicadas em interiores e exteriores, podendo inclusive serem utilizadas em pinturas artísticas, telas, quadros, madeira e em artesanatos em geral.

A principal vantagem desta tinta está no preço, já que uma lata de dezoito litros de tinta feita com a cola convencional sai por cerca de R$ 20,00 a R$30,00; a fórmula feita com sumo de cactos ou cola de grude não chega a custar muito mais do que R$ 5,00.

Isso já é por si só, um grande incentivo.

Pincipalmente para todos os adpetos do consumo consciente, quanto para as populações de menor renda.

HABITAÇÕES ECOLÓGICAS E SUSTENTÁVEIS

Nestes tempos em que os governos, empresas e cidadãos em todo o mundo despertam para a urgência da preservação da natureza, do meio ambiente e para a conservação dos recursos naturais como a única forma de assegurar a qualidade da vida e a permanência pacífica da humanidade sobre o nosso planeta; o setor da construção civil também vem buscando, re-inventado e implementando métodos, sistemas, técnicas e tecnologias, das mais antigas as mais modernas, para atender aos pré-requisitos de um tipo de habitação mais eficiente - A habitação consciente, ecológica e sustentável.

Esta urgente e nova ordem mundial requer de cada líder, cada povo e de cada indivíduo, uma reflexão e uma tomada de consciência mais rápida, que agilize a mudança de atitudes e dos costumes que estávamos habituados a ter.

De agora em diante o nosso lema, foco e compromisso são: a auto-sustentabilidade, a cultura do “não desperdício”, o consumo consciente, a economia dos recursos naturais, a redução de emissão de CO2 na atmosfera, a qualidade de vida, a economia de recursos naturais e a geração de renda, ascessível e possível à todos.

A sustentabilidade baseia-se nos seguintes aspectos: ambiental, econômico e social, que devem coexistir em equilíbrio; direcionando o resutado da equação: projeto x construção x habitação, para o ideal das escolhas específicas, únicas, originais e personalizadas para cada indivíduo, cada grupo, região, sempre considerando o meio ambiente, o homem e os recursos disponíveis.


Imagem: Maquete do trabalho elaborado pela equipe do Laboratório de Planejamento e Projetos LPP/CAR/UFES.

É neste contexto que entram a arquitetura e a construção sustentável e ecológica, ou como alguns denominam - a bioarquitetura e a bioconstrução - como modalidades de projetos e de obras de reforma e construção, que se fundamentam no uso de mão de obra e de materiais regionais, e ecologicamente corretos, recicláveis, reutilizáveis, sustentáveis, não-poluentes; que não agridam o meio ambiente, seja em seu processo de obtenção ou de fabricação, seja durante a sua aplicação imediata, ou ao longo de sua vida útil.

Os profissionais comprometidos com essa mentalidade avaliam os pre-requisitos para a viabilidade ecológica, econômica e social antes, durante e depois da concepção do projeto e da obra, levando-se em conta os recursos e materiais disponíveis no local ou região, combinando-se a isto as diversas técnicas milenares de construção e as mais modernas tecnologias que se dispõe no mercado, norteando-se pelos princípios a seguir:



Detalhe da construção de chalé com base estrutral de pedras roladas assentadas com argamassa, pilares e estrutura de telhado de madeira de reflorestamento e paredes de típa leve em malha de bambú. Fonte: Ecovila Viver Simples

O uso de matérias-primas naturais e renováveis, disponíveis natureza e na área do entorno da obra, tais como: mão de obra local, pedra rolada, pedra de mão, madeira de reflorestamento certificadas; bambu; areia; barro e terra utilizados em forma de adobe, super-adobe, taipa leve, ou taipa de pilão.

No quesito divisórias podem ser usados cascalho, brita, taipa (composto por barro pilado, misturado com palha, aplicado sobre uma trama de bambus ou de galhos e troncos de árvores ou arbustos resistentes e excedentes na mata), e para os acabamentos cai muito bem usar conchas, palhas, fibras naturais e pinturas a base de cal com pigmentos e corantes naturais, ou o uso de “ecotintas” industrializadas já prontas para a aplicação.


Detalhe da calha em telhado verde para coleta de águas das chuvas - Fonte: Habitare.
A economia do consumo de água potável, com a utilização de sistemas que proporcionam o reuso de água da chuva, por meio da sua coleta, armazenagem e reutilização, que pode ser usada para a descarga de sanitários, regas de jardins, lavagem de pisos e de automóveis e para a refrigeração; assim como para o sistema de combate a incêndio e demais usos permitidos para água não potável.

Outra medida para a redução do consumo de água potável, que assegura uma enorme economia, advém da instalação de vasos sanitários com bacias acopladas acionadas por válvulas especiais, que acionam dois tipos de fluxos de água para descarga: um com um volume maior e outro com volume menor de água, específicos para o tipo de descarga sanitária que se necessita.

O uso de torneiras para lavatórios com acionamento eletrônico ou temporizador por pressão também garantem a redução do consumo e o uso inteligente e consciente da água.


Esquema de coleta solar, armazenamento, distribuição e uso da energia para aquecimento de água.

Residência ecologica e sustentável com coletores de energia solar no telhado e cataventos para energia eólica.

A economia de energia que se pode obter com a implantação de sistemas alternativos e eficientes de captação e de armazenamento, como a instalação de placas coletoras da luz do sol no telhado, garantem o aquecimento da água.

A auto-suficiência energética capaz de produzir a eletricidade necessária para fazer funcionar equipamentos elétricos e eletrodomésticos de toda a casa também pode ser obtida através da energia solar, quando se faz o uso de coletores acoplados a baterias especiais.

Em regiões de alta incidência de ventos pode-se ainda lançar mão de sistemas para a captação da energia eólica (ventos).

A beleza e criatividade do colorido mosaico feito com cacos de azulejos na parede desse Hall que se integra ao piso de pedras locais e as madeiras de demolição das esquadrias. Fonte: Earthship Biotecture.

O uso de matérias-primas recicláveis ou reutilizáveis advindas dos excedentes e refugos da construção civil, como: placas de concreto armado, blocos de cimento para calçamento, madeiras, esquadrias, telhas, tubos, entulho, assim como os azulejos e pisos cerâmicos descartados que podem ser aplicados na confecção de painéis e pisos de mosaico.

Isto se dá também com uma infinidade de materiais, oriundos de vários outros setores da indústria, tais como: ferros e vergalhões, paletes, pneus, vasilhames do tipo pet, garrafas e garrafões de vidro, latinhas de alumínio, barris e galões de plástico e de uma outra imensa variedade de materiais que podem ser facilmente encontrados em ferros-velhos, lojas de material de demolição e brechós, como por exemplo: dormentes, assoalhos, esquadrias, ferragens, vidros, espelhos, cacos de vidro, garrafas de vidro, ladrilhos hidráulicos, louças, metais, bancadas, móveis e etc.


Paredes de garrafas multicoloridas, assentadas com argamassa de barro, banheira e piso de pedras e argamassa de barro tingida com pigmento natural na cor verde e cúoula de ferro e vidros de ferro velho. Fonte: Earthship Biotecture.


Paredes de pneus, latinhas de alumínio, taipa de barro tingido com pigmento natural (p.e. urucum) Fonte:Earthship Biotecture.

É possível encontrar também no mercado materiais já prontos para a utilização, como: telhas, forros, tapetes, carpetes, móveis, conduítes, painéis e divisórias feitos a partir da reciclagem de embalagens do tipo longavida e de diversos tipos de plásticos, papelão, fibras naturais, restos de madeireiras; além de lâmpadas com maiores índices de economia e de durabilidade, ideais tanto para residências, empresas, condomínios e estabelecimentos comerciais.


Telhado verde , que reduz o calor e protege do frio em qulaquer tipo de habitação

Uma construção executada levando-se em conta a direção e a velocidade dos ventos dominantes, será sempre mais saudável, pois será sempre bem ventilada, terá sua atmosfera interna sempre renovada e jamais será abafada, ou guardará calor excessivo nos meses mais quentes. Tampouco será húmida ou gelada demais nos meses de inverno.

Pois toda habitação abafada e quente ou umida e gelada demais está fadada a propiciar a multiplicação de doenças.

Para o bem da saúde de todos os usuários, toda habitação deve primar pelo equilíbrio e o conforto térmico. A implantação correta da habitação no terreno, assegura que se tenha um ambiente saudável e confortável, em qualquer estação do ano, proporcionando um clima intra e extra ambiental sempre temperado e ameno; dipensando-se o uso de ar concidionado e outros eletrodomésticos para o resfriamento ou aquecimento dos ambientes.

Necessidades básicas como ar, alimento, água e abrigo são instintivas a todos os seres humanos assim como para todos os animais. Todos nós buscamos a segurança de viver bem, com mais conforto e saúde. Todos nós anseamos por boa comida, abrigo, segurança, geração de renda e qualidade de vida.

É importante saber que apesar de muito generoso, o nosso planeta também tem limitações nas reservas naturais de energia que pode dispor, de modo a cuidar bem e igualitariamente de tanta gente. De todos nós!
A água potável, as reservas de energias fósseis, a capacidade dos mares de gerar alimentos, da atmosfera para nos fornecer o ar que respiramos e das áreas cultiváveis no planeta para produzirmos o nosso alimento na terra são limitadas, e que devido ao desperdício, da poluição, do consumo desenfreado e da ganância, podem se esgotar.

Uma casa, um consultório, um hotel, um escritório, um condomínio, uma loja, um restaurante, um shopping, uma empresa, uma indústria, uma rua, um quarteirão, um bairro, uma cidade, um estado, um país ou um continente sustentável e ecológico são então o fruto de uma equação bem fácil e simples de se implantar.

A habitação sábia tem o estilo sustentável, ecológico, viável e econômico de ser e visa o bem estar e bem viver das pessoas e o eficiente usufruir de tudo que a natureza e o meio ambiente no nosso planeta tem a nos oferecer.

fonte: http://lecycpicorelli-arquitetura.blogspot.com

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Muito além da fachada Verde

Os desafios das construtoras para criar projetos residenciais realmente sustentáveis em um mercado dominado pela maquiagem verde

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Num grande centro urbano, comprar um imóvel de um empreendimento que promete plantar uma árvore para cada futuro morador parece uma ideia simpática. Se houver lugar para as lixeiras de recicláveis, melhor ainda - afinal, quem não se preocupa com o meio ambiente? Vendidos como iniciativas verdes em inúmeros lançamentos residenciais no país, detalhes como esses podem agradar, mas estão longe de fazer desses edifícios construções efetivamente ecoeficientes. "Ressaltar a sustentabilidade de um único aspecto do projeto é o primeiro sinal de que existe greenwashing [argumento que distorce ou falseia a ideia de baixo impacto ambiental visando a venda]", explica Paola Figueiredo, diretora do grupo SustentaX, empresa pioneira na assessoria para certificação ambiental. E enquanto as grandes empresas não poupam recursos tecnológicos e financeiros para obter algum selo verde para prédios comerciais, as construtoras e incorporadoras brasileiras ainda batem na trave e aplicam muitos conceitos de greenwashing em edifícios residenciais. Mas o assunto está longe de ser ignorado pelo setor.

Alguns empreendedores já esboçam reação e se esforçam para contemplar os três pontos fundamentais da chamada tríade verde: ter impacto ambiental reduzido, trazer benefícios sociais para todos os envolvidos na obra (dos operários aos usuários) e ser economicamente viável. O projeto Spazio Acqua, concebido pela Cosil em Aracaju, é um bom exemplo. Muito bem avaliado pelo Programa Obra Sustentável do Santander (leia quadro na pág. 121), a iniciativa é um reflexo de uma nova mentalidade adotada pela empresa há três anos, quando a construtora contratou a SustentaX para operar uma verdadeira transformação em seu canteiro de obras: seguindo as novas diretrizes, substituíram aço e vidro comuns por outros com percentual de reciclagem, passaram a comprar cimento CP III (que usa uma quantidade menor de calcário na fabricação e por isso emite menos CO2) e a usar produtos regionais (distantes até 800 km da obra), o que diminui os gastos de logística e emissão de gases. Uma segunda construtora que está empenhada é a Even. Há dois anos, ela é a única representante da construção civil no Índice de Sustentabilidade Empresarial da BM&F Bovespa, indicador formado por ações de até 40 empresas comprometidas em alto grau com tais ideais.

Também foi uma das primeiras a publicar o Relatório de Sustentabilidade do GRI, apontado como um dos dez melhores do país pela consultoria inglesa SustainAbility. Ultimamente, o maior esforço da incorporadora tem sido o de divulgar o trabalho de bastidores da construção civil. "Estamos aprimorando os descritivos para que o cliente consiga diferenciar os produtos. Muitas vezes quem compra um apartamento não pergunta nem sobre o tipo de madeira usada, e os vendedores raramente destacam tais aspectos", ressalta Silvio Gava, diretor de sustentabilidade da Even. Outras escolhas acertadas que fazem a diferença, mas ninguém vê, vão desde fôrmas para concreto feitas de plástico, que garantem 100 reutilizações, em vez das 18 permitidas nas de madeira e tintas com baixo nível de compostos orgânicos voláteis (COV), a tubulações hidráulicas não embutidas, para facilitar futuras reformas e diminuir resíduos.

CUSTO OU INVESTIMENTOUm dos quesitos que caracterizam um edifício como sustentável ainda aparece como entrave à multiplicação de empreendimentos do gênero: a viabilidade econômica. Afinal, o valor inicial de uma construção como essa pode chegar a 10% mais do que o de uma convencional. O custo direto (ou seja, o investimento no processo de edificação) é maior, mas a tendência é que o custo indireto (com a manutenção e a operação do prédio) caia. Se corretamente projetado, esse retorno, ou payback, pode superar em poucos anos os gastos adicionais preliminares. "Um dos principais objetivos desse tipo de construção é se manter ativa por ao menos 40 anos. E se ela é mesmo sustentável, terá redução energética significativa, o que vai garantir sua durabilidade", resume Thomaz Assumpção, presidente da Urban Systems, empresa de estudos de mercado e dados demográficos. No limite, um edifício realmente responsável deveria ter projetados também a sua vida útil, durabilidade e até o modo de uma futura demolição, completando a análise de ciclo de vida. Mas a situação permanece inalterada uma vez que ainda não existe demanda dos consumidores por empreendimentos residenciais realmente verdes - ao contrário do movimento que ganha força no setor corporativo, impulsionado pelas multinacionais que se instalam no país com uma agenda sustentável a cumprir. Se ali, imóveis certificados resultam em menor tempo de vacância e aluguel elevado (refletindo uma valorização), aqui, os in¬corpo-radores temem perder competitividade pelo valor de venda mais alto, sem a perspectiva de reaver o excedente no uso e na operação, que ficam a cargo de outro agente do mercado.



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BAIANOS NA CORRIDA PELA CERTIFICAÇÃO

Concedido no país pela Fundação Vanzolini, o selo AQUA (Alta Qualidade Ambiental) já está atraindo construtoras e incorporadoras interessadas em imprimir esse diferencial em seus projetos residenciais. Dois empreendimentos da empresa baiana Ecomundo, já obtiveram a certificação na etapa de programa: o Infinity Ecologic Residence (acima) e o Evolution Ecologic Residence. Agora, serão avaliados nos quesitos concepção, realização e operação. Fundada em 2005, a construtora já traz um trunfo de peso no currículo por ter dois projetos em processo de certificação. Entre as tecnologias previstas nos empreendimentos, estão placas de energia solar para aquecimento dos chuveiros, medidores individuais de água para os apartamentos e sistema de reaproveitamento de líquidos das torneiras e descargas (águas servidas e cinza).


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INCREMENTOS A PASSOS MIÚDOS

As obras do condomínio True Chácara Klabin, em São Paulo, ainda não começaram. Mas o projeto já está sendo lançado como a grande aposta da empresa Even. "Certificamos o True na fase Programa do selo AQUA [Alta Qualidade Ambiental] e estamos em busca das demais", adianta Silvio Gava, diretor da construtora. Até agora, entre os atributos, não desponta nada de tão original em relação aos já usados pela empresa e no mercado: sensores de presença em hall e escadas e tubulação aparente que facilita a manutenção. "Fazer um produto comercialmente adequado a esses valores é relativamente simples, mas direcionar a empresa para isso é mais complicado. É importante incluir tais princípios na aquisição do terreno, durante a construção e até no uso", justifica Silvio. Um exemplo da cadeia sustentável que se estende a outros setores da empresa é o Projeto Toalha, em que cada funcionário da obra recebe uma peça limpa todos os dias, e o Projeto Escola, parceria com uma escola estadual de primeiro e segundo graus, em São Paulo, onde funcionários da construtora realizam ações educativas voluntárias. Iniciativas como essas não constam exatamente da cartilha ecológica, mas responsabilidade social é outro pilar da sustentabilidade.


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APROVADO COM LOUVOR
A lista de atributos que fizeram o Spazio Acqua, na capital do Sergipe, entrar para a seleta lista de empreendimentos com a placa de Obra Sustentável do Santander é extensa: construção de uma nova rua e reforma da calçada nos arredores - o que demonstra a preocupação do projeto com o entorno -, todos os ambientes têm janelas, facilitando a ventilação e a iluminação natural, e os apartamentos virão equipados com brindes, como os recipientes para a coleta de óleo de cozinha. "A empresa precisou se adaptar aos critérios sustentáveis, principalmente na execução das obras", ressalta Samara Meneses Silva, coordenadora do comitê de sustentabilidade da construtora Cosil. Outros pontos fortes do projeto são os estacionamentos revestidos com piso drenante e "piscininhas" que retardam a chegada da água pluvial à rede pública: aspectos citados pela consultoria Sistema Assessoria Ambiental. Há ainda alguns itens mais conhecidos, como as torneiras com temporizador e as bacias com sistema duplo de acionamento nos banheiros. Nas áreas comuns, portas e batentes levam madeira certificada.

BANCO É PONTAPÉ INICIAL PARA QUEM DESEJA CERTIFICAR

Criado há quatro anos pelo banco Real (hoje Santander) com a ajuda da consultoria Sistema Assessoria Ambiental, o Programa Obra Sustentável tem incentivado as empresas que querem se adequar às normas de sustentabilidade sem desembolsar muito. Todas as construtoras que vão pedir financiamento ao banco podem passar por essa avaliação, que dura o tempo da obra (cerca de dois a três anos). Dividida em três fases, ela investiga a política da empresa em relação ao tema, o projeto de arquitetura e, por último, o canteiro de obras. "Não é uma certificação, mas a empresa que atinge um desempenho de ao menos 70% recebe uma placa de reconhecimento", diz a advogada Carolina Piccin, diretora da consultoria. Outra vantagem é que o solicitante terá benefícios contratuais em futuros empréstimos - apesar de o financiamento não estar atrelado ao resultado da avaliação - e já vai ter dado o pontapé inicial em busca de um selo LEED ou AQUA. Mas, para obter os 70% de aprovação, o empreendimento precisa ter ao menos 50% de desempenho no quesito arquitetura - o que tem sido raro ultimamente: "Não vemos ainda uma conexão do projeto com as práticas sustentáveis da empresa, é uma área que ainda está pouco desenvolvida", avalia Carolina.



fonte: Nathalia de Castro
Arquitetura & Construção / Especial Construção Sustentável - 12/2010